Alex Sandro Tavares da Silva
Farmacologia: Psicólogos americanos prescrevem remédios desde a década de 1990
A Farmacologia é o estudo e o uso científico de substância químicas que alteram o funcionamento do ser vivo com o objetivo de tratar alguma desordem.
Do ponto de vista psicológico temos a Psicofarmacologia, que é uma prática na área da saúde relativamente recente, seu nascimento remonta principalmente para o final da década de 1940, quando se deu a invenção de substâncias que prometiam alterar o funcionamento neuropsicológico do sujeito tido como doente mental.
A explicação para o funcionamento da Psicofarmacologia é o mesmo para a eficácia da Psicoterapia. Do ponto de vista bioquímico, ambas as estratégias clínicas alterariam o funcionamento neuropsicológico e fariam uma espécie de "restruturação" nas conexões entre neurônios (células nervosas do nosso sistema nervoso central - SNC).
"... eu gostaria de levantar uma idéia simplista, mas talvez relevante, segundo a qual o nível final de resolução para a compreensão de como a intervenção psicoterapêutica funciona é idêntica ao nível com que nós estamos atualmente buscando entender como intervenções psicofarmacológicas funcionam - ao nível individual de células nervosas e suas conexões." (Eric Kandel, 1979: 1028)
Em 1949 aconteceu a avaliação do primeiro "remédio psicológico", quando o australiano John F. Cade comprovou que o carbonato de lítio estabilizava o humor do "doente bipolar", também rotulado de "psicótico maníaco-depressivo".
Essa nova intervenção ficou potencializada em 1952 quando, na França, os pesquisadores Jean Delay e Pierre Deniker utilizaram e testaram o neuroléptico clorpromazina durante três dias em oito pacientes psicóticos, os quais tiveram uma redução das suas alucinações auditivas. Assim, essa droga (tida como o "primeiro psicotrópico eficaz") deu impulso ao tratamento químico de determinados transtornos psicológicos. Em outras palavras, a clorpromazina (o primeiro "antipsicótico") inaugurou a Psicofarmacologia.
Psicologia e Psicofarmacologia
Desde de setembro de 1991, há um programa do "Departamento
de Defesa" dos EUA, no qual psicólogos
militares prescrevem remédios.
Desde de 1999 há locais
com legislações que normalizam essa estratégia
química do psicólogo clínico.
Em 2002, o governador Gary Johnson,
usando os ótimos resultados do "Departamento de Defesa" americano,
aprovou uma lei que autorizou que os psicólogos com pós-graduação
em Farmacologia pudessem prescrever remédios.
O pós-graduação em Farmacologia para psicólogos tem duração de 450 horas, com prática clínica supervisionada e conta com uma certificação nacional. Esse curso americano conta com disciplinas, que os psicólogos brasileiros já cursam na sua graduação, como, por exemplo: psicofarmacologia, neuroanatomia, neurofisologia, clinica farmacológica, farmacologia, fisiopatologia, epidemiologia, etc. Após aprovado no exame nacional, o psicólogo recebe uma licença para praticar a prescrição de remédios (com supervisão) durante 02 anos. Após esse tempo, o psicólogo está apto à prescrever remédios sem supervisão.
Conforme o psicólogo americano Ph.D Russ Newman (2002), Diretor Executivo do setor de Práticas Profissionais da "American Psychological Association" (APA) esses cursos de pós-graduação garantem uma prescrição segura e efetiva. Newman comenta que com essa nova estratégia os psicólogos promoverão mais qualidade na sua intervenção e redução de custos, já que as pesquisas científicas (realizadas também por psicólogos clínicos e neuropsicólogos) mostram que a combinação de psicoterapia com o uso dos remédios produz resultados mais rápidos no tratamento de determinadas patologias (ex.: depressão, TOC, pânico, etc.).
Atualmente há vários territórios que desenvolveram legislações
que autorizam o psicólogo a prescrever remédios,
como: Louisiana, Novo México, Georgia, Illinois, Hawaii, Tennessee,
Guam.
Nos últimos 10 anos mais de 13 estados americanos criaram legislação
sobre a prescrição de remédios pelo psicólogo.
No Brasil já existem inúmeros psicólogos com especialização,
mestrado, doutorado e pós-doutorado na área farmacológica.
Como comentam os psicólogos Dr. Jesus Landeira-Fernandez
e Dr. Antônio Pedro de Mello Cruz: "...
é também nosso objetivo chamar a atenção do psicólogo
clínico para o fato de que sua prática pode e deve ser
enriquecida através da aquisição de conhecimento e treinamento
necessário para o emprego de drogas psicotrópicas. Entre as
várias razões que justificam esse direito está o grande
avanço que a psicofarmacologia vem conquistando graças à
pesquisa básica, que conta, inclusive, com grande
participação de pesquisadores com formação em
psicologia. Outra razão importante é que drogas psicotrópicas,
bem como as psicoterapias, parecem atuar de forma semelhante no sistema nervoso
central." (LANDEIRA-FERNANDEZ;
CRUZ, 1998)
Veja
o vídeo (no Youtube) da "Associação
de Psicologia do Estado do Missouri (EUA)" sobre a prerrogativa para
prescrição de medicamentos por psicólogos clínicos.
O vídeo foi legenado pelo psicólogo Dr.
Paulo Abreu.
Bibliografia
Prescribing Psychologists' Register
Lista de alguns pesquisador e trabalhos científicos que defendem o direito do psicólogo prescrever remédios: